Só
faz sentido pensar na implantação de escolas de tempo integral, se considerar
uma concepção de educação integral com a perspectiva de que o horário expandido
represente uma ampliação de oportunidades e situações que promovam
aprendizagens significativas e emancipadoras. Porque não dá pra cair no mesmo
erro de acabar sendo um abrigo de correção dos problemas sociais.
Como
afirma o texto “as premissas de Darcy Ribeiro para a generalização do modelo
Ciep de escola em tempo integral e as características de sua implantação
falharam, pelo forte apelo de projeto de "escola abrigo" para as
camadas populares”. Opinião da autora Zaia.
A
autora propõe a escola de tempo integral como melhoria da educação, centrada no
respeito à especificidade social da instituição que oferece ao cidadão uma
escolaridade de qualidade, acesso aos conhecimentos legitimados pelos
currículos dos sistemas escolares. Com
um desejo legítimo da população marginalizada de ter acesso aos instrumentos
culturais e sociais que lhes garantam a cidadania escolar. Uma política
comprometida com o direito à educação deveria, inclusive, indicar que os
efeitos dela na superação das desigualdades sociais dependem de outras
políticas sociais no plano da saúde, habitação, trabalho, segurança, etc.
Para
que a escola de tempo integral caminhe na direção de um ensino de melhor
qualidade, não basta que ela seja um recurso destinado aos estudantes: é
preciso que ela incorpore professores em regime de tempo integral, obviamente
com salários e condições de trabalho compatíveis com o regime de dedicação
exclusiva em uma instituição.
Segundo
a autora o tempo integral parece ser uma condição de cidadania escolar para
crianças e jovens que são, até hoje, penalizados pela baixa qualidade do ensino
que o sistema público lhes oferece, apesar das honrosas exceções. É preciso, no
entanto que não se perca o horizonte da especificidade da instituição escolar e
que não se descure da qualidade de instalações e equipamentos
didático-pedagógicos que tornam o espaço escolar um ambiente rico de
possibilidades de aprendizagem, seja para os alunos, seja para os professores e
as equipes administrativas.
Por
fim, creio que a educação em tempo integral seja um bem para a sociedade, desde
que, ofereça condições, tanto para os alunos quanto para os professores. Uma
educação de qualidade significa melhorar a vida de cada brasileiro. Não podemos
cair no erro de se tornar uma escola assistencialista que acaba deixando de
lado a educação para resolver problemas sociais, devemos sim usar a educação
para resolver os problemas sociais.
Devemos, ainda, considerar
que as classes média e alta têm meios de proporcionar uma educação ampliada a
seus filhos, mediante a matrícula em estabelecimentos de ensino privado.
Portanto, cabe a nós enquanto educadores a discussão sobre que escola de tempo
integral queremos, e a partir daí fazer a pratica acontecer.
Cogitare!
Reinaldo Corrêa – Professor do E.M de Filosofia.
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