quarta-feira, 10 de outubro de 2012


A política... Uma reflexão!

As eleições passaram, passou-se o tempo de sermos adversários políticos, é tempo de revermos conceitos, repensar atitudes, palavras, recompor-se e seguir em frente. Ao candidato eleito, terá novas responsabilidades, talvez nunca tidas em sua vida: resgatar o verdadeiro sentido da POLÍTICA, hoje tão desgastada pela corrupção e a falta de ética, em toda a esfera publica. Bem como agir com justiça para com aqueles a quem deve representar. Aos candidatos que não se elegeram, resta rever sua postura, propostas e o próprio conceito de política. Às pessoas em geral, que elegeram ou não seus representantes, saber que amizades não se destroem em três meses por não pensarem igual, que se desgastarem em redes sociais, com discursos vazios os fazem ignorantes, impedindo que a democracia e o direito de ir e vir seja exercido.
Finalizado o período eleitoral, de apresentação de propostas, de analises dos nossos futuros representantes, já fizemos a nossa escolha. Vivemos em um país democrático, temos a oportunidade de discutirmos, trocar ideias e mais, pensar diferente. Temos o direito em nosso país de escolher nossos representantes, por meio de eleições democráticas e aqui no nosso município, não é diferente e cada um fez a sua; a correta? Ainda não sabemos é preciso esperar, e acreditar que sendo ele ou não meu escolhido, está lá para representar o município inteiro, o povo pratense.
Ao nosso prefeito recém-eleito, Sassá e os vereadores, saibam que vocês têm uma responsabilidade para com cada cidadão, devem saber que todos os munícipes devam ser tratados com dignidade, independentemente da posição política que este possa ter, afinal, somos ou não livres?
A saber, a palavra política, vem do grego polis: “cidade”. Portanto, é tudo o que diz respeito aos cidadãos e ao governo da cidade, aos negócios públicos. Sendo assim, é obrigação dos representantes (prefeito e vereadores) saber que devem cuidar do bem dos cidadãos e dos negócios públicos. Quanto à justiça, assim orienta Aristóteles (filósofo clássico), a justiça refere-se às relações entre as pessoas (virtude individual, usada para consigo mesmo e para com os outros) e entre os indivíduos e o governo (virtude social), estabelecidas em leis. Portanto, pode ser uma virtude moral ou política. Sejam pessoas virtuosas no compromisso que vão assumir a partir de 1º de janeiro de 2013.
Candidatos não eleitos, já devem saber que as estratégias usadas e o modelo de governo apresentado não é a necessidade da maioria do povo. Para ser representante do povo é preciso “ser povo”, é preciso se colocar no lugar do mais simples dos cidadãos, é preciso lembrar-se das pessoas não só em períodos eleitorais, e que somos livres para fazermos nossas escolhas (eleições). Portanto, não é com ameaças, retaliações e nem com mau uso do dinheiro publico (compra de voto) que se ganha o posto de representante, ao contrário, com trabalho, respeito, amizade e principalmente ética. Fazer valer na prática o verdadeiro sentido da política.
Com relação a você eleitor, elegeu ou não seu representante, pense que você tem amigos que pensam diferente de você e mesmo os que pensam “iguais”, são livres para fazerem o que querem. Destruir amizades nesse período (eleições) os faz pessoas pobres em espírito e ignorantes. Onde fica o verdadeiro valor da amizade? Aristóteles considerava a amizade como o coroamento da vida virtuosa, possível apenas entre pessoas prudentes e justas, já que a amizade supõe a justiça, a generosidade, a benevolência, a reciprocidade dos sentimentos. Amar a si e aos amigos de maneira generosa e desinteressada “é o que há de mais necessário pra viver”. Portanto, não deixe os amigos de lado por insucesso ou sucesso nas urnas.
Aos usuários de redes sociais, aliás, também uso. Escrevemos o que queremos, não medimos palavras, nos achamos donos da “verdade” e seremos tratados do mesmo modo. Até que ponto, o desgastes pessoal com discursos vazios, sem fundamentação, vale à pena? Há entre os “ganhadores” e “perdedores (nas urnas), vocabulário medíocre, discursos dogmáticos e vazios que fazem das redes sociais, mídias da baixaria. É possível perceber que em lugares como estes, repercutem a possibilidade de não sermos livres, nem para escolher (votar) muito menos de ir e vir, que já somos julgados, taxados com adjetivos que mostram o caráter de quem os coloca.
Portanto, alguns reclamam que não são livres, mas ao que parece são os primeiros que não querem deixar o “outro” ser livre. Afinal, a liberdade é construída na relação com os que enfrentam os mesmos problemas e desafios. Você esta a mercê disso?

Cogitare!

Reinaldo Corrêa – Professor do E.M de Filosofia.



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Reflexão Filosófica



Um texto que trás algumas reflexões interessantes, a respeito da reflexão filosófica.

Reflexão filosófica.
sobre Filosofia por Humberto Zanardo Petrelli petrelli@hotmail.com

Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo.
A reflexão filosófica é tida como radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem quanto por meio de gestos e ações.
A reflexão filosófica também se volta para essas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações. A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões:
por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos?
o que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?
para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?
Essas três questões podem ser resumidas em: o que é pensar, falar e agir? E elas pressupõem a seguinte pergunta: nossas crenças cotidianas são ou não um saber verdadeiro, um conhecimento? A atitude filosófica inicia-se indagando: o que é?, como é?, por que é?, dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e aorigem de todas as coisas.
A reflexão filosófica, por sua vez, indaga: por quê?, o quê?, para quê?, dirigindo-se ao pensamento, aos seres humanos no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e afinalidade humanas para conhecer e agir.
Cogitare!

Bibliografia
PRÉ-SOCRÁTICOS, Col. "Os Pensadores", vol. 1, seleção de textos e supervisão do prof. Dr. José Cavalcante de Souza, São Paulo, Abril Cultural, 1978.
Bibliografia Complementar
CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São Paulo, Editora Ática, 2004.
CHAUI, M. Introdução à História da Filosofia - dos pré-socráticos a Aristóteles, Volume 1, São Paulo, Cia. das Letras, 2002.

COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia: História e Grandes Temas, São Paulo, Ed. Saraiva, 7a tiragem, 2005.
KIRK, G.S., RAVEN, J. E. & SCHOFIELD, M. Os filósofos pré-socráticos, Lisboa, Fund. Calouste Gulbenkian, 1994.



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Mito hoje.

O Mito hoje.
Autor: Fernando de Carvalho Matos

Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?
Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os contadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante.
A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que viveram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história.
O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de "Faroeste", apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas.
O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.
O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si.
Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.
Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas?
Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento.
As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu.
Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar.
Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria.

Cogitare!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Trabalho sobre o filme O Presente.


Diante de um mundo onde há uma desvalorização de valores, o que é possível fazer para resgatar os verdadeiros valores e fazê-los perpetuarem?
Trabalho do 2º Ano B do Ensino Médio a partir do filme: O Presente


Em minha opinião, para resgatar estes valores é ajudando as outras pessoas, nos conscientizando a melhorar o mundo e a nós mesmos, amando mais nosso trabalho, nossa família e a sociedade.
Acredito que com o trabalho as pessoas conseguem alcançar todos seus objetivos e sonhos, e até no filme “o presente” o primeiro presente que ele recebe é o do trabalho. As pessoas precisam sofrer ver de onde saem às coisas, para mais tarde valorizar tudo que tem.
No mundo de hoje as pessoas estão mais preocupadas em bens, poder e lucros. Em ter muito dinheiro um carrão, casas enormes, e assim deixando de lado as amizades verdadeiras, os filhos, a família em um todo, esquecendo-se de viver o presente, o dia de hoje.
Todos nós nascemos livres para pensar, e ter desejos e sonhos de um futuro, sendo pobre ou rico, todos têm oportunidades, a diferença é de como cada um as abraça. Temos o direito do estudo e também a oportunidade, de cursar uma universidade e após arrumar um trabalho, e com isso, sem ambição e com o coração limpo, formar uma família, e crescer de corpo e alma, com seus próprios esforços, seu suor e sua família. Se cada ser Humano agir bem, tornaremos a terra um mundo melhor.

Aluna: Bruna Schichet – 2º B da Manhã.

Cogitare!



Sócrates e o nascimento da Filosofia.


            A Filosofia se constitui pro meio de uma passagem do mito ao logos (razão). Antes do surgimento da Filosofia, a explicação para as questões humanas eram fornecidas pelos mitos. Podemos conhecer essas explicações lendo obras como Odisseia ou Ilíada, de Homero. Essas explicações eram sagradas, isto é, diziam respeito aos deuses. Sem a força dos deuses, a explicação humana precisou de provas. A Filosofia busca fornecer continuamente essas provas, como explica Marilena Chaui:

O mito não se importava com tradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2005. P. 25.

A história da Filosofia grega pode ser dividida em períodos. Os filósofos que viveram antes do filósofo grego Sócrates são chamados de pré-socráticos, e foram os primeiros pensadores do mundo ocidental. Tinham em comum a reflexão a respeito da origem e da essência do mundo natural, em oposição às preocupações centrais da Filosofia clássica grega (representada por Sócrates, Platão e Aristóteles) e dos filósofos posteriores, mais voltados às reflexões éticas e da teoria do conhecimento.
Nascido na cidade de Mileto (colônia grega na Ásia) na passagem do século VII para o VI a.C.; Tales é considerado o primeiro filósofo da História . Diz-se dele que, filosofando ao andar pela rua, distraído, acabou caindo em um buraco!
De Tales a Sócrates, todos os grandes temas da Filosofia foram construídos pelos filósofos chamados pré-socráticos. Heráclito pensava que tudo está em permanente transformação (“Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”).
Parmênides sustentou a superioridade da interpretação racional do mundo e a ilusão do movimento e da mudança (“O Ser é, o não ser não é”).
Demócrito concebeu átomos como princípios de todas as coisas (“Princípio de todas as coisas são os átomos e o vazio. [...] Nada vem do não-ser, nada pode perecer e se dissolver no não ser”).
As perguntas que os primeiros filósofos elaboraram parecem hoje pertencer ao domínio das ciências da natureza. De que é feita a matéria? Por que as coisas mudam, a noite sucede o dia, a água se torna gelo? Por que os seres se multiplicam, crescem e morrem? E sobre o vasto Universo? De que são feitas as estrelas? O que são as coisas que existem?
Portanto, as questões que hoje pertencem à ciência nasceram como especulação filosófica. Foram os primeiros filósofos que formularam as perguntas que ao longo dos séculos a ciência tratou de responder e reinventar.
Várias respostas a essas questões foram elaboradas pelos mitos, pela tradição e pela religião. No entanto, esses filósofos estavam atrás de outro tipo de resposta, não mais ligada à tradição e à autoridade, mas que tivesse valor por si só: respostas filosóficas, respostas verdadeiras, universais, baseadas na razão.
No período clássico da Filosofia grega se constitui o pensamento de Platão e Aristóteles, que acabaria por formar a base de toda a Filosofia posterior. A questão da verdade se tornou proeminente para a Filosofia. Os sofistas, mestres da persuasão e oratória, foram combatidos por seus contemporâneos. Enquanto a Filosofia lutava por um conhecimento verdadeiro, os sofistas procuravam convencer por meio da retórica.

Fonte: DIMENSTEIN, Gilberto. Dez lições de Filosofia. São Paulo: FTD, 2008. p. 28.

Retórica: Arte de se expressar com desenvoltura, de bem argumentar.

Sofistas: Pedagogos que perambulavam pelas cidades gregas da Antiguidade, instruindo os jovens em várias artes, especialmente em retórica, cujo propósito era a obtenção de sucesso nas assembleias dos cidadãos, nas disputas judiciárias e nos jogos políticos em geral.  O termo também é usado no sentido pejorativo, para indicar os falsos sábios que cobravam por seus ensinamentos e não tinham comprometimento com a ciência e a verdade, importando-se tão somente com o manejo retórico das opiniões, sempre defendidas apenas em vista do jogo de poder. (p. 12, segunda coluna _ caderno Anglo)

GIACOIA JR, Oswaldo. Pequeno dicionário de filosofia contemporânea. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 161.

Os períodos da Filosofia grega

De maneira simplificada, podemos dividir o desenvolvimento da Filosofia grega em quatro momentos:
Período pré-socrático (séc. VII a V a.C.): De Tales de Mileto a Sócrates.
* Período socrático ou clássico (séc. V a IV a.C.): A Filosofia reflete sobre as questões humanas, sobretudo a ética e a política.
Período alexandrino ou helenístico (final do séc. IV a séc. III a.C.): A Filosofia busca sistematizar o conhecimento alcançado. Disseminação da cultura clássica no mundo mediterrâneo. Surgem novas escolas, como a dos estoicos, dos epicuristas e dos céticos.
Período greco-romano (séc. III a.C. a VI d.C.): Nesse período há a assimilação da cultura grega pela cultura romana e a dissolução do pensamento grego diante do cristianismo.
Até mais... Cogitare!


Reinaldo Corrêa.

Prof. de Filosofia do Ensino Médio.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mito e Filosofia

A filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os antigos mitos gregos ou nasceu por uma ruptura radical com os mitos?
Mas, o que é um mito?
Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.).
Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados.
Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.
Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe?
De três principais maneiras:
1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semi-divinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claroescuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc..
A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados.
Tomemos um exemplo de narrativa mítica.
Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido), exemplo extraído do Banquete 203a, de Platão:
"Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois o vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis com efeito o que se dá".
2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre forças divinas ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.
O poeta Homero, na Ilíada, epopeia que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer a batalha.
A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Páris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.
O mito, narra a origem do mundo e de tudo que existe nele, e a terceira principal maneira de narração mítica é:
3. Encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente.
Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra.
Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os homens. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens?
Os deuses fizeram uma mulher encantadora,
Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas que nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explica-se, assim, a origem dos males do mundo.
Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias etheogonias.
Gonia, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, por sua vez, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas.
Theogonia é uma palavra composta de gonia, que, em grego, significa: as coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A theogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados.
A filosofia, ao nascer, é uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a theogonia? Duas foram as respostas dadas pelos estudiosos.
A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente.
A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade. Por isso, dizia-se que os gregos, como qualquer outro povo, acreditavam em seus mitos e que a filosofia nasceu, vagarosa e gradualmente, do interior dos próprios mitos, como uma racionalização deles.
Atualmente, consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a filosofia, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explicação inteiramente nova e diferente.
Quais são as diferenças entre filosofia e mito?
Podemos apontar três como as mais importantes:
1O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A filosofia, ao contrário, preocupa-se em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são.
2O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas, enquanto a filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. O mito falava em Urano, Ponto e Gaia; a filosofia fala em céu, mar e terra. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros), terrestres (plantas, animais, homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. A filosofia explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos - úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar.
3O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.

Até mais.. Cogitare!

Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio.
Bibliografia
CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São Paulo, Editora Ática, 2004, pp. 23-5.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Onde estão os valores?

Com o passar dos tempos muita coisa vem mudando, perderam-se os valores ou ainda, introduziram outros, mas este de forma falsa, que acabam parecendo mais LIBERTINAGEM que propriamente valores.
Não existe mais MORAL, ÉTICA, ORDEM, DISCIPLINA, porque isso tudo é visto como algo que reprime nossa liberdade. QUE LIBERDADE? A de ser mau educado, a de ser vândalo, a de não se ter respeito por nada nem por ninguém? Aonde hoje os filhos dão na cara dos pais que não podem dar nenhuma palmada, porque é errado?
Perdendo os valores que foram cultivados por nossos avós e pais, vamos deixando até mesmo por omissão, filhos que deveriam ser a diferença no mundo, mostrando-se educados, respeitosos e cultivadores de boas maneiras transformar-se em “monstros” que acham que podem fazer tudo, porque ninguém lhes deu LIMITES, EDUCAÇÃO. Vemos alunos desrespeitarem os professores, pessoas mais velhas os próprios pais que nesse processo de perca de valores não valem mais nada.
È chegado o momento de reconstruir valores, voltarmos a ser respeitosos para com os outros e exigirmos de nossos filhos a observância dos mesmos, resgatar o sentido histórico da virtude termo usado por pensadores como Sócrates onde a virtude é um agir ótimo é procurar fazer o bem, que é o correto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser. O ato virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas a medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas. O caminho para a virtude não é só o intelecto, razão, é o conhecimento místico também. Para Platão, as principais virtudes são: força, coragem, justiça e piedade. A virtude abrange, também, criar riquezas. Aristóteles por sua vez, descreve a virtude como o que nos torna capazes de praticar atos justos o que não se diferencia dos demais pensadores em essência.
Portanto, convido você a agir de forma virtuosa o que fará de você alguém com excelentes valores, e que a partir daí vai saber encontrar a arte de saber viver.
Até mais... Cogitare!

Reinaldo Corrêa.

Prof. de Filosofia do Ensino Médio.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ética e Moral

Em seu sentido mais abrangente, o termo "ética" implicaria um exame dos hábitos da espécie humana e do seu caráter em geral, e envolveria até mesmo uma descrição ou história dos hábitos humanos em sociedades específicas e em diferentes épocas. Um campo de estudos assim seria obviamente muito vasto para poder ser investigado por qualquer ciência ou filosofia particular. Além disso, porções desse campo já são ocupadas pela história, pela antropologia e por algumas ciências naturais particulares (como, p. ex., a fisiologia, a anatomia e a biologia), uma vez que os hábitos e o caráter dos homens dependem dos processos materiais que essas ciências examinam. Até mesmo áreas da filosofia como a lógica e a estética seriam necessárias em tal investigação, se considerarmos que o pensamento e a realização artística são hábitos humanos normais e elementos de seu caráter. No entanto, a ética, propriamente dita, restringe-se ao campo particular do caráter e da conduta humana à medida que esses estão relacionados a certos princípios – comumente chamados de "princípios morais". As pessoas geralmente caracterizam a própria conduta e a de outras pessoas empregando adjetivos como "bom", "mau", "certo" e "errado". A ética investiga justamente o significado e escopo desses adjetivos tanto em relação à conduta humana como em seu sentido fundamental e absoluto.
A Moral deriva do latim mores, "relativo aos costumes". Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento dos romanos traduzirem a palavra grega êthica.
E assim, a palavra moral não traduz por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para os gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do ato humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
Até mais... Cogitare!


Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ética
http://pt.wikipedia.org/wiki/Moral

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mito da Caverna - Platão.



Mito da Caverna, ou Alegoria da Caverna, foi escrito pelo filósofo Platão e está contido em “A República”, no livro VII. Na alegoria narra-se o diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato.
Quando estudamos Platão, não da pra fugir dessa dicotomia entre o mundo sensível e mundo inteligível. É intrigante o modo como Platão na tentativa de explicar a realidade usa um mito pra fazer isso. Na verdade Platão quer demonstrar o quanto estamos ligados a crendices e superstições.
A história narra a vida de alguns homens que nasceram e cresceram dentro de uma caverna e ficavam voltados para o fundo dela. Ali contemplavam uma réstia de luz que refletia sombras no fundo da parede. Esse era o seu mundo. Certo dia, um dos habitantes resolveu voltar-se para o lado de fora da caverna e logo ficou cego devido à claridade da luz. E, aos poucos, vislumbrou outro mundo com natureza, cores, “imagens” diferentes do que estava acostumado a “ver”. Voltou para a caverna para narrar o fato aos seus amigos, mas eles não acreditaram nele e revoltados com a “mentira” o mataram. Podemos assim relacionar que, o prisioneiro que volta a caverna para narrar os fatos, é Sócrates que foi condenado e morto sob acusação de corromper a juventude.
Com essa alegoria, Platão divide o mundo em duas realidades: a sensível, que se percebe pelos sentidos, e a inteligível (o mundo das ideias). O primeiro é o mundo da imperfeição e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem. Assim o ser humano deveria procurar o mundo da verdade para que consiga atingir o bem maior para sua vida. Em nossos dias, muitas são as cavernas em que nos envolvemos e pensamos ser a realidade absoluta.
É possível aplicar em nosso cotidiano tal alegoria, pois há diversas situações do cotidiano, em que o mundo sensível (a caverna) é comparado às situações como o uso de drogas, manipulação dos meios de comunicação e do sistema capitalista, desrespeito aos direitos humanos, à política, etc. Ao materializar e contextualizar o entendimento desse mito é possível debater sobre o resgate de valores como família, amizade, direitos humanos, solidariedade e honestidade, que podem aparecer como reflexões do mundo ideal.
Cabe à reflexão: Mas até quando alguns escolherão o fundo da caverna? A permanecer na ignorância? Será que é uma pré-disposição ao engano ou puro comodismo? Vamos refletir!
Até mais... Cogitare!

Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Você já se pensou porque estudar filosofia?


É interessante pensarmos justamente na filosofia, pra que filosofia? Mas você já se perguntou pra que matemática, português, geografia, história, biologia, etc.? Talvez sim, mas então descobriu o sentido?
É claro que todas as disciplinas são importantes, mas atribuímos “importância” as disciplinas por sua utilidade prática. Por isso, o filósofo é considerado alguém que está sempre distraído, com a cabeça no mundo da Lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis e o mesmo pensa-se da filosofia. Mas seria isso mesmo a filosofia?
A filosofia seria a arte do bem-viver. Estudando as paixões e os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos, a filosofia teria como finalidade ensinar-nos a virtude, que é o princípio do bem-viver.
Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a filosofia que formula e busca respostas para elas.
A filosofia nada mais é do que a busca pela sabedoria, portanto, vai continuar fazendo suas perguntas desconcertantes e embaraçosas: O que é o homem?; O que é a vontade?; O que é a paixão?; O que é a razão?; O que é o vício?; O que é a virtude?; O que é a liberdade?; Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos?; Por que a liberdade e a virtude são valores para os seres humanos?; O que é um valor?; Por que avaliamos os sentimentos e ações humanas?
E você, já percebeu a importância da filosofia? Que tal filosofar um pouco?
Até mais... Cogitare!

Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio. 

Fonte: CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São Paulo, Editora Ática, 2004, pp. 10-11.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O que é o pensar ou pensamento?


Nos dicionários, são dados vários sentidos às palavras pensar e pensamento. Pensar significa: 1.aplicar a atividade do espírito aos elementos fornecidos pelo conhecimento; formar e combinar idéias; julgar, refletir, raciocinar, especular; 2.exercer a inteligência; meditar, ver; 3.exercer o espírito ou a atividade consciente de uma maneira global:sentir, querer, refletir; 4.ter uma opinião, uma convicção; 5.supor, presumir, crer, admitir, suspeitar, achar; 6.esperar, tencionar; 7.preocupar-se; 8.avaliar; 9.cismar. Pensamento significa: 1.o ato de refletir, meditar ou pensar, ou o processo mental que se concentra em idéias; 2.atividade de conhecimento ou tendo por objeto o conhecimento; 3.consciência, mente, espírito, entendimento, intelecto, razão; 4.poder de formular idéias e conceitos; 5.faculdade de pensar logicamente, raciocínio, ponto de vista, formulação de um juízo; 6.aquilo que é pensado ou o resultado do ato de pensar; idéia, ponto de vista, opinião, juízo; 7.fantasia, sonho, devaneio, lembrança, recordação, cuidado, preocupação, expectativa; 8.conjunto de idéias ou doutrina de um pensador, de uma sociedade, de um grupo, de uma coletividade.
Pensar é, portanto, suspender o julgamento até se formar uma idéia ou opinião, comparar os pontos de vista, avaliar, julgando seu valor e se essa idéia é verdadeira ou falsa, justa ou injusta, examiná-las, ponderando os pontos de vista para escolher um deles e equilibrar, encontrando um meio-termo entre extremos ou opiniões opostas.
Até mais... Cogitare!

Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio.