quarta-feira, 29 de maio de 2013

Podemos ser Livres?

Quando falamos em nossas aulas de filosofia sobre liberdade, ouço muitos educando dizerem: “não sou livre”! Ou ainda: “Nunca posso fazer o que quero isso não é ser livre”! E aí vão as colocações. Cada um apresenta sua justificativa para essa não liberdade. O que é interessante, que nesse bate papo de liberdade surge à questão do destino, se acreditam ou não no destino, e na sua maioria acreditam.
Bom, aparentemente pode até parecer que não temos liberdade alguma, já que temos deveres em praticamente tudo o que fazemos, no trabalho, na escola, em casa, enfim na sociedade como um todo, já que, até sobre o outro temos responsabilidades. Além disso, existem a regras, leis que de certa forma “impedem” de usufruir dessa liberdade. Mas será que as leis impedem nossa liberdade? Podemos atribuir aqui um sentido ambíguo às leis: ao mesmo tempo em que ela nos coloca limites, ela existe justamente como uma maneira de garantir a nossa liberdade, sem elas seria impossível viver em sociedade.
Se não somos livres, estamos à mercê de fatalidades, determinações, escravos do destino, nada que façamos poderá mudar nosso fim. Corrobora-se aqui o destino, quando não exerço minha liberdade, não tomo iniciativa na minha vida, assumo um conformismo que, julgo ser meu destino ser isso ou aquilo, tirando de mim a responsabilidade dos possíveis fracassos ou sucessos que alcancei, não foi por meu mérito, mas por que o destino quis assim.
Existe um ditado Talmúdico (Talmud obra do Judaísmo que reúne comentários sobre a lei mosaica (de Moises)) que diz “se eu não for por mim mesmo, quem será por mim? Se eu for apenas por mim, que serei eu? Se não agora – quando?”. Assim, é necessário que tome iniciativa de sua vida, tome as rédeas, mas ao mesmo tempo fazer o que dela? Onde quero chegar? Isso significa que também não estou sozinho no mundo, minhas escolhas não dizem respeito somente a mim, é preciso saber onde queremos chegar com a liberdade que nos permitimos ter. O certo é: devemos fazer isso agora, não deixar que ninguém decida e faça por nós.

Portanto, a liberdade é responsabilidade, e deve ser buscada, quando não o fazemos, estamos entregues a sorte (destino) e nada acontece de diferente. 

Cogitare!
Reinaldo Corrêa - Professor de filosofia do EM.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

HUMANOS PELO TRABALHO

O ser humano se faz pelo trabalho, é por meio do trabalho que modificamos a natureza, embora algumas pessoas considerem um fardo, algo não prazeroso, é preciso desfazer esta visão negativa do trabalho, mostrando que trabalhar pode ser algo gostoso, prazeroso, que faz o ser humano, ser mais humano ainda.
Modificar esta visão negativa do trabalho, apresentada pelas sociedades modernas é uma tarefa árdua, ver o trabalho como algo que não nos consuma e nos desgaste, algo maior ainda. Portanto, é no trabalho que devemos buscar a nossa humanidade.
Trabalhamos o mês inteiro, o ano todo ou até a vida toda, pra tirarmos um “tempinho” para nós, um momento de lazer. O problema é que quando esse momento chega, não temos saúde, e nem sabemos o que fazer com esse “tempo” livre, não sabemos viver o ócio de forma ativa. A maioria das pessoas tem que ver o trabalho como preciso para viver, que tome um tempo da sua vida e não a vida toda. Daí o ditado: trabalhar pra viver e não viver para trabalhar.
Diante disso, é preciso haver um equilíbrio entre o trabalho e o lazer, conciliar a família, amigos, esporte, tempo para si mesmo. Assim, o trabalho antes visto como um fardo passa a ser só mais uma atividade que fazemos no dia a dia.
Portanto, o equilíbrio e a interação entre o trabalho e o lazer acontecem justamente no momento em que você, no cotidiano não faz dele uma rotina, mecanicamente reproduzida, sem amor, mas prazeroso, onde homem e mulher sejam o que são: pessoas que precisam trabalhar, mas que necessitam do lazer. Pois é pelo trabalho que realizamos nossa essência: ser seres humanos.

Cogitare!
Reinaldo Corrêa - Professor de Filosofia do EM.