Quando falamos em nossas aulas de
filosofia sobre liberdade, ouço muitos educando dizerem: “não sou livre”! Ou
ainda: “Nunca posso fazer o que quero isso não é ser livre”! E aí vão as colocações.
Cada um apresenta sua justificativa para essa não liberdade. O que é
interessante, que nesse bate papo de liberdade surge à questão do destino, se
acreditam ou não no destino, e na sua maioria acreditam.
Bom, aparentemente pode até parecer
que não temos liberdade alguma, já que temos deveres em praticamente tudo o que
fazemos, no trabalho, na escola, em casa, enfim na sociedade como um todo, já que,
até sobre o outro temos responsabilidades. Além disso, existem a regras, leis
que de certa forma “impedem” de usufruir dessa liberdade. Mas será que as leis impedem
nossa liberdade? Podemos atribuir aqui um sentido ambíguo às leis: ao mesmo
tempo em que ela nos coloca limites, ela existe justamente como uma maneira de
garantir a nossa liberdade, sem elas seria impossível viver em sociedade.
Se não somos livres, estamos à
mercê de fatalidades, determinações, escravos do destino, nada que façamos
poderá mudar nosso fim. Corrobora-se aqui o destino, quando não exerço minha
liberdade, não tomo iniciativa na minha vida, assumo um conformismo que, julgo
ser meu destino ser isso ou aquilo, tirando de mim a responsabilidade dos possíveis
fracassos ou sucessos que alcancei, não foi por meu mérito, mas por que o
destino quis assim.
Existe um ditado Talmúdico (Talmud
obra do Judaísmo que reúne comentários sobre a lei mosaica (de Moises)) que diz
“se eu não for por mim mesmo, quem será por mim? Se eu for apenas por mim, que
serei eu? Se não agora – quando?”. Assim, é necessário que tome iniciativa de
sua vida, tome as rédeas, mas ao mesmo tempo fazer o que dela? Onde quero
chegar? Isso significa que também não estou sozinho no mundo, minhas escolhas não
dizem respeito somente a mim, é preciso saber onde queremos chegar com a
liberdade que nos permitimos ter. O certo é: devemos fazer isso agora, não deixar
que ninguém decida e faça por nós.
Portanto, a liberdade é
responsabilidade, e deve ser buscada, quando não o fazemos, estamos entregues a
sorte (destino) e nada acontece de diferente.
Cogitare!
Reinaldo Corrêa - Professor de filosofia do EM.
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