quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Reflexão Filosófica



Um texto que trás algumas reflexões interessantes, a respeito da reflexão filosófica.

Reflexão filosófica.
sobre Filosofia por Humberto Zanardo Petrelli petrelli@hotmail.com

Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo.
A reflexão filosófica é tida como radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem quanto por meio de gestos e ações.
A reflexão filosófica também se volta para essas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações. A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões:
por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos?
o que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?
para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?
Essas três questões podem ser resumidas em: o que é pensar, falar e agir? E elas pressupõem a seguinte pergunta: nossas crenças cotidianas são ou não um saber verdadeiro, um conhecimento? A atitude filosófica inicia-se indagando: o que é?, como é?, por que é?, dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e aorigem de todas as coisas.
A reflexão filosófica, por sua vez, indaga: por quê?, o quê?, para quê?, dirigindo-se ao pensamento, aos seres humanos no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e afinalidade humanas para conhecer e agir.
Cogitare!

Bibliografia
PRÉ-SOCRÁTICOS, Col. "Os Pensadores", vol. 1, seleção de textos e supervisão do prof. Dr. José Cavalcante de Souza, São Paulo, Abril Cultural, 1978.
Bibliografia Complementar
CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São Paulo, Editora Ática, 2004.
CHAUI, M. Introdução à História da Filosofia - dos pré-socráticos a Aristóteles, Volume 1, São Paulo, Cia. das Letras, 2002.

COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia: História e Grandes Temas, São Paulo, Ed. Saraiva, 7a tiragem, 2005.
KIRK, G.S., RAVEN, J. E. & SCHOFIELD, M. Os filósofos pré-socráticos, Lisboa, Fund. Calouste Gulbenkian, 1994.



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Mito hoje.

O Mito hoje.
Autor: Fernando de Carvalho Matos

Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?
Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os contadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante.
A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que viveram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história.
O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de "Faroeste", apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas.
O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.
O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si.
Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.
Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas?
Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento.
As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu.
Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar.
Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria.

Cogitare!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Trabalho sobre o filme O Presente.


Diante de um mundo onde há uma desvalorização de valores, o que é possível fazer para resgatar os verdadeiros valores e fazê-los perpetuarem?
Trabalho do 2º Ano B do Ensino Médio a partir do filme: O Presente


Em minha opinião, para resgatar estes valores é ajudando as outras pessoas, nos conscientizando a melhorar o mundo e a nós mesmos, amando mais nosso trabalho, nossa família e a sociedade.
Acredito que com o trabalho as pessoas conseguem alcançar todos seus objetivos e sonhos, e até no filme “o presente” o primeiro presente que ele recebe é o do trabalho. As pessoas precisam sofrer ver de onde saem às coisas, para mais tarde valorizar tudo que tem.
No mundo de hoje as pessoas estão mais preocupadas em bens, poder e lucros. Em ter muito dinheiro um carrão, casas enormes, e assim deixando de lado as amizades verdadeiras, os filhos, a família em um todo, esquecendo-se de viver o presente, o dia de hoje.
Todos nós nascemos livres para pensar, e ter desejos e sonhos de um futuro, sendo pobre ou rico, todos têm oportunidades, a diferença é de como cada um as abraça. Temos o direito do estudo e também a oportunidade, de cursar uma universidade e após arrumar um trabalho, e com isso, sem ambição e com o coração limpo, formar uma família, e crescer de corpo e alma, com seus próprios esforços, seu suor e sua família. Se cada ser Humano agir bem, tornaremos a terra um mundo melhor.

Aluna: Bruna Schichet – 2º B da Manhã.

Cogitare!



Sócrates e o nascimento da Filosofia.


            A Filosofia se constitui pro meio de uma passagem do mito ao logos (razão). Antes do surgimento da Filosofia, a explicação para as questões humanas eram fornecidas pelos mitos. Podemos conhecer essas explicações lendo obras como Odisseia ou Ilíada, de Homero. Essas explicações eram sagradas, isto é, diziam respeito aos deuses. Sem a força dos deuses, a explicação humana precisou de provas. A Filosofia busca fornecer continuamente essas provas, como explica Marilena Chaui:

O mito não se importava com tradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2005. P. 25.

A história da Filosofia grega pode ser dividida em períodos. Os filósofos que viveram antes do filósofo grego Sócrates são chamados de pré-socráticos, e foram os primeiros pensadores do mundo ocidental. Tinham em comum a reflexão a respeito da origem e da essência do mundo natural, em oposição às preocupações centrais da Filosofia clássica grega (representada por Sócrates, Platão e Aristóteles) e dos filósofos posteriores, mais voltados às reflexões éticas e da teoria do conhecimento.
Nascido na cidade de Mileto (colônia grega na Ásia) na passagem do século VII para o VI a.C.; Tales é considerado o primeiro filósofo da História . Diz-se dele que, filosofando ao andar pela rua, distraído, acabou caindo em um buraco!
De Tales a Sócrates, todos os grandes temas da Filosofia foram construídos pelos filósofos chamados pré-socráticos. Heráclito pensava que tudo está em permanente transformação (“Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”).
Parmênides sustentou a superioridade da interpretação racional do mundo e a ilusão do movimento e da mudança (“O Ser é, o não ser não é”).
Demócrito concebeu átomos como princípios de todas as coisas (“Princípio de todas as coisas são os átomos e o vazio. [...] Nada vem do não-ser, nada pode perecer e se dissolver no não ser”).
As perguntas que os primeiros filósofos elaboraram parecem hoje pertencer ao domínio das ciências da natureza. De que é feita a matéria? Por que as coisas mudam, a noite sucede o dia, a água se torna gelo? Por que os seres se multiplicam, crescem e morrem? E sobre o vasto Universo? De que são feitas as estrelas? O que são as coisas que existem?
Portanto, as questões que hoje pertencem à ciência nasceram como especulação filosófica. Foram os primeiros filósofos que formularam as perguntas que ao longo dos séculos a ciência tratou de responder e reinventar.
Várias respostas a essas questões foram elaboradas pelos mitos, pela tradição e pela religião. No entanto, esses filósofos estavam atrás de outro tipo de resposta, não mais ligada à tradição e à autoridade, mas que tivesse valor por si só: respostas filosóficas, respostas verdadeiras, universais, baseadas na razão.
No período clássico da Filosofia grega se constitui o pensamento de Platão e Aristóteles, que acabaria por formar a base de toda a Filosofia posterior. A questão da verdade se tornou proeminente para a Filosofia. Os sofistas, mestres da persuasão e oratória, foram combatidos por seus contemporâneos. Enquanto a Filosofia lutava por um conhecimento verdadeiro, os sofistas procuravam convencer por meio da retórica.

Fonte: DIMENSTEIN, Gilberto. Dez lições de Filosofia. São Paulo: FTD, 2008. p. 28.

Retórica: Arte de se expressar com desenvoltura, de bem argumentar.

Sofistas: Pedagogos que perambulavam pelas cidades gregas da Antiguidade, instruindo os jovens em várias artes, especialmente em retórica, cujo propósito era a obtenção de sucesso nas assembleias dos cidadãos, nas disputas judiciárias e nos jogos políticos em geral.  O termo também é usado no sentido pejorativo, para indicar os falsos sábios que cobravam por seus ensinamentos e não tinham comprometimento com a ciência e a verdade, importando-se tão somente com o manejo retórico das opiniões, sempre defendidas apenas em vista do jogo de poder. (p. 12, segunda coluna _ caderno Anglo)

GIACOIA JR, Oswaldo. Pequeno dicionário de filosofia contemporânea. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 161.

Os períodos da Filosofia grega

De maneira simplificada, podemos dividir o desenvolvimento da Filosofia grega em quatro momentos:
Período pré-socrático (séc. VII a V a.C.): De Tales de Mileto a Sócrates.
* Período socrático ou clássico (séc. V a IV a.C.): A Filosofia reflete sobre as questões humanas, sobretudo a ética e a política.
Período alexandrino ou helenístico (final do séc. IV a séc. III a.C.): A Filosofia busca sistematizar o conhecimento alcançado. Disseminação da cultura clássica no mundo mediterrâneo. Surgem novas escolas, como a dos estoicos, dos epicuristas e dos céticos.
Período greco-romano (séc. III a.C. a VI d.C.): Nesse período há a assimilação da cultura grega pela cultura romana e a dissolução do pensamento grego diante do cristianismo.
Até mais... Cogitare!


Reinaldo Corrêa.

Prof. de Filosofia do Ensino Médio.