Estava lendo algumas noticias sobre filosofia e encontrei essa noticia, estou compartilhando com todos, é do ano passado, mas da pra ter uma noção sobre a disciplina de filosofia.
07/07/2012 06h00 - Atualizado em 07/07/2012 06h00
Guia de carreiras: filosofia
É nas aulas do ensino médio que atuam a maior parte dos profissionais.Curso ainda é útil como formação complementar e no terceiro setor.
Ana
Carolina MorenoDo G1, em São Paulo
Desde
2008, quando o governo federal voltou a incorporar as disciplinas de filosofia
e sociologia no currículo obrigatório do ensino médio, o mercado de trabalho de
quem tem diploma de licenciatura em filosofia tem se multiplicado. As duas
matérias eram, desde 1971, opcionais e apareciam com pouca expressão nas salas
de aula dos adolescentes, principalmente na rede privada. Por causa da mudança,
ser professor tem sido o caminho mais comum aos recém-formados no curso. A
profissão, porém, vai além da sala de aula: o profissional de filosofia ainda
pode atuar no terceiro setor, dar consultoria para empresas e seguir carreira
acadêmica como pesquisador.
Muitos,
como Fábio Mesquita, de 33 anos, acabam atuando em mais de um campo. Além de
dar aulas em dois colégios particulares de São Paulo -- o São Luís e o Sion --,
Fábio já concluiu seu mestrado e atualmente estuda para fazer um doutorado na
área. Além do bacharelado e da licenciatura em filosofia, concluídos em 2003,
pela Universidade de São Paulo (USP), ele também tem diploma de história.
Fábio
conta que optou pela filosofia porque, entre as matérias que preferia no
colégio, com essa ele teve menos contato. "Conhecia mais história que
filosofia, sou da geração que não teve filosofia no ensino médio. Mas eu achava
interessante, ouvi falar nos testes vocacionais, prestei as duas e acabei indo
para a filosofia. Adorei o curso, achei fabuloso."
Segundo
ele, a graduação em filosofia difere das outras ciências humanas: enquanto as
carreiras de letras e história, por exemplo, oferecem aos estudantes uma base
de cultura e conhecimento, segundo ele, filosofia "é um curso que te
ensina a pensar". O filósofo e professor explica que, como as disciplinas,
no decorrer do curso, apresentam diversas teorias de filósofos, e umas se
contrapõem às outras, o universitário acaba sendo levado a criar seu próprio
conhecimento.
"Como
cada filósofo te explica a realidade de um ponto de vista e às vezes eles se
contradizem, você é impulsionado pelo pensamento, pela oposição de
ideias", diz.
Fábio
conta que uma parcela dos vestibulandos opta pelo curso como uma complementação
de sua formação. Ele afirma ter estudado com colegas que cursavam medicina,
engenharia ou direito paralelamente à graduação em filosofia.
Para
o professor, que hoje também dá aulas de história, os universitários que optam
pela licenciatura acabam encontrando bastante satisfação na sala de aula. Como
a disciplina não é exigida nos vestibulares, existe "uma liberdade mais
interessante para o professor produzir um trabalho reflexivo, porque os alunos
não podem só decorar os conceitos dos filósofos".
O
incentivo ao pensamento crítico e ao enfrentamento dos problemas com uma visão
mais ampla da realidade, porém, são elementos-chave transmitidos nas aulas de
filosofia que, além de servirem para a tomada de decisão na vida dos
estudantes, também são úteis para o desenvolvimento dos argumentos usados nas
provas de redação dos vestibulares.
Perfil crítico
De
acordo com a Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de
São Paulo (Aproffesp), o perfil de um profissional de filosofia inclui o gosto
pelos conteúdos de humanidades em geral, além da necessidade de ter senso
crítico e a disposição para se voltar às superações das dificuldades das
relações sociais e dos novos paradigmas, e aos questionamentos dos valores
sociais, econômicos e de classe.
Fábio
afirma que a formação crítica não precisa estar formada no momento do
vestibular, já que a faculdade aborda as teorias filosóficas e a história da
filosofia com maior profundidade e acaba levando os universitários a outros
níveis de pensamento. "O curso me ajudou a ver a realidade de outra forma,
a ser um ser humano diferente do que eu era."
A
inclusão da filosofia no ensino médio, segundo a associação, ajuda a aumentar
nos estudantes, o grau de criticidade e de leitura, além de ajudá-los a
defenderem suas ideias, o que avança significativamente o desempenho pedagógico
e cognitivo dos alunos tanto em filosofia quanto em outras disciplinas.
Para
Fábio, a filosofia ainda é uma disciplina com metodologia em desenvolvimento,
ao contrário de outras matérias, com as quais tanto professores quanto
estudantes já estão acostumados.
"Cada
professor tem uma experiência, tenta algo diferente em sala de aula. Com os
alunos também. Tem o aluno tradicional, vai bem em todas as matérias, mas tem
dificuldade na de filosofia, e o aluno que não é tão bom em outras disciplinas,
mas tem espírito crítico e, por isso, se dá melhor na filosofia."
A
dinâmica das aulas tem sido inclusive adotada, em algumas escolas particulares,
no ensino fundamental. Segundo a diretoria da Aproffeso, existe na Assembleia
Legislativa de São Paulo um projeto de lei para introduzir a disciplina também
no fundamental dos colégios da rede pública.
Mercado
"O grande bolo de quem se forma em filosofia vai para a docência. Como
agora é obrigatória a disciplina no ensino médio, todas as particulares e as
públicas exigem professores de filosofia", explica Fábio. Porém, a relação
do filósofo com a busca por soluções aos problemas da sociedade pós-moderna faz
com que sua capacitação seja requerida além da sala de aula.
Nas
organizações não-governamentais, a formação em filosofia é útil na produção e
execução de projetos voltados à mudança de realidades sociais. Além disso, as
empresas também buscam o olhar do filósofo para suas soluções, e um nicho que
tem se aberto para os formados na área é a consultoria e as palestras. De
acordo com a Aproffesp, muitos filósofos também atuam na área editorial, como
escritores.
"Os
filósofos devem mostrar caminhos para as pessoas e mostrar que é possível fazer
o que gosta e encontrar um sentido na existência, no trabalho na família. As
pessoas ainda buscam esse sentido", diz Fábio.
Segundo
ele, a filosofia tenta criar novos caminhos para as pessoas e para a humanidade
enxergarem a realidade de outra forma, mas, até pelo conceito da formação, deve
haver um limite para a mercantilização das ferramentas adquiridas na graduação.
"O que acontece é que o sistema acaba dando à filosofia um valor de
mercado, isso não vejo de bom grado. Se a filosofia se tornar um produto a ser
vendido, ela nega sua proposta original, que seria de um olhar diferenciado do
real, de novas propostas."
Cogitare!
Reinaldo Corrêa - Professor do E M de Filosofia.
Fonte: http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2012/07/guia-de-carreiras-filosofia.html