terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sócrates e o nascimento da Filosofia.


            A Filosofia se constitui pro meio de uma passagem do mito ao logos (razão). Antes do surgimento da Filosofia, a explicação para as questões humanas eram fornecidas pelos mitos. Podemos conhecer essas explicações lendo obras como Odisseia ou Ilíada, de Homero. Essas explicações eram sagradas, isto é, diziam respeito aos deuses. Sem a força dos deuses, a explicação humana precisou de provas. A Filosofia busca fornecer continuamente essas provas, como explica Marilena Chaui:

O mito não se importava com tradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2005. P. 25.

A história da Filosofia grega pode ser dividida em períodos. Os filósofos que viveram antes do filósofo grego Sócrates são chamados de pré-socráticos, e foram os primeiros pensadores do mundo ocidental. Tinham em comum a reflexão a respeito da origem e da essência do mundo natural, em oposição às preocupações centrais da Filosofia clássica grega (representada por Sócrates, Platão e Aristóteles) e dos filósofos posteriores, mais voltados às reflexões éticas e da teoria do conhecimento.
Nascido na cidade de Mileto (colônia grega na Ásia) na passagem do século VII para o VI a.C.; Tales é considerado o primeiro filósofo da História . Diz-se dele que, filosofando ao andar pela rua, distraído, acabou caindo em um buraco!
De Tales a Sócrates, todos os grandes temas da Filosofia foram construídos pelos filósofos chamados pré-socráticos. Heráclito pensava que tudo está em permanente transformação (“Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”).
Parmênides sustentou a superioridade da interpretação racional do mundo e a ilusão do movimento e da mudança (“O Ser é, o não ser não é”).
Demócrito concebeu átomos como princípios de todas as coisas (“Princípio de todas as coisas são os átomos e o vazio. [...] Nada vem do não-ser, nada pode perecer e se dissolver no não ser”).
As perguntas que os primeiros filósofos elaboraram parecem hoje pertencer ao domínio das ciências da natureza. De que é feita a matéria? Por que as coisas mudam, a noite sucede o dia, a água se torna gelo? Por que os seres se multiplicam, crescem e morrem? E sobre o vasto Universo? De que são feitas as estrelas? O que são as coisas que existem?
Portanto, as questões que hoje pertencem à ciência nasceram como especulação filosófica. Foram os primeiros filósofos que formularam as perguntas que ao longo dos séculos a ciência tratou de responder e reinventar.
Várias respostas a essas questões foram elaboradas pelos mitos, pela tradição e pela religião. No entanto, esses filósofos estavam atrás de outro tipo de resposta, não mais ligada à tradição e à autoridade, mas que tivesse valor por si só: respostas filosóficas, respostas verdadeiras, universais, baseadas na razão.
No período clássico da Filosofia grega se constitui o pensamento de Platão e Aristóteles, que acabaria por formar a base de toda a Filosofia posterior. A questão da verdade se tornou proeminente para a Filosofia. Os sofistas, mestres da persuasão e oratória, foram combatidos por seus contemporâneos. Enquanto a Filosofia lutava por um conhecimento verdadeiro, os sofistas procuravam convencer por meio da retórica.

Fonte: DIMENSTEIN, Gilberto. Dez lições de Filosofia. São Paulo: FTD, 2008. p. 28.

Retórica: Arte de se expressar com desenvoltura, de bem argumentar.

Sofistas: Pedagogos que perambulavam pelas cidades gregas da Antiguidade, instruindo os jovens em várias artes, especialmente em retórica, cujo propósito era a obtenção de sucesso nas assembleias dos cidadãos, nas disputas judiciárias e nos jogos políticos em geral.  O termo também é usado no sentido pejorativo, para indicar os falsos sábios que cobravam por seus ensinamentos e não tinham comprometimento com a ciência e a verdade, importando-se tão somente com o manejo retórico das opiniões, sempre defendidas apenas em vista do jogo de poder. (p. 12, segunda coluna _ caderno Anglo)

GIACOIA JR, Oswaldo. Pequeno dicionário de filosofia contemporânea. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 161.

Os períodos da Filosofia grega

De maneira simplificada, podemos dividir o desenvolvimento da Filosofia grega em quatro momentos:
Período pré-socrático (séc. VII a V a.C.): De Tales de Mileto a Sócrates.
* Período socrático ou clássico (séc. V a IV a.C.): A Filosofia reflete sobre as questões humanas, sobretudo a ética e a política.
Período alexandrino ou helenístico (final do séc. IV a séc. III a.C.): A Filosofia busca sistematizar o conhecimento alcançado. Disseminação da cultura clássica no mundo mediterrâneo. Surgem novas escolas, como a dos estoicos, dos epicuristas e dos céticos.
Período greco-romano (séc. III a.C. a VI d.C.): Nesse período há a assimilação da cultura grega pela cultura romana e a dissolução do pensamento grego diante do cristianismo.
Até mais... Cogitare!


Reinaldo Corrêa.

Prof. de Filosofia do Ensino Médio.

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