A
Filosofia se constitui pro meio de uma passagem do mito ao logos
(razão). Antes do surgimento da Filosofia, a explicação para as questões
humanas eram fornecidas pelos mitos. Podemos conhecer essas explicações lendo
obras como Odisseia ou Ilíada, de Homero. Essas explicações eram sagradas, isto
é, diziam respeito aos deuses. Sem a força dos deuses, a explicação humana
precisou de provas. A Filosofia busca fornecer continuamente essas provas, como
explica Marilena Chaui:
O mito não se importava com tradições, com o fabuloso e o
incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica,
como também porque a confiança e crença no mito vinham da autoridade religiosa
do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e
coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e
racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo,
mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática,
2005. P. 25.
A história da Filosofia grega pode ser
dividida em períodos. Os filósofos que viveram antes do filósofo grego
Sócrates são chamados de pré-socráticos, e foram os primeiros pensadores do
mundo ocidental. Tinham em comum a reflexão a respeito da origem e da essência
do mundo natural, em oposição às preocupações centrais da Filosofia clássica
grega (representada por Sócrates, Platão e Aristóteles) e dos filósofos
posteriores, mais voltados às reflexões éticas e da teoria do conhecimento.
Nascido na cidade de Mileto (colônia grega na
Ásia) na passagem do século VII para o VI a.C.; Tales é considerado o primeiro
filósofo da História . Diz-se dele que, filosofando ao andar pela rua,
distraído, acabou caindo em um buraco!
De Tales a Sócrates, todos os grandes temas da
Filosofia foram construídos pelos filósofos chamados pré-socráticos.
Heráclito pensava que tudo está em permanente transformação (“Não podemos nos
banhar duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca
somos os mesmos”).
Parmênides sustentou a superioridade da
interpretação racional do mundo e a ilusão do movimento e da mudança (“O Ser é,
o não ser não é”).
Demócrito concebeu átomos como princípios de
todas as coisas (“Princípio de todas as coisas são os átomos e o vazio. [...]
Nada vem do não-ser, nada pode perecer e se dissolver no não ser”).
As perguntas que os primeiros filósofos
elaboraram parecem hoje pertencer ao domínio das ciências da natureza. De que é
feita a matéria? Por que as coisas mudam, a noite sucede o dia, a água se torna
gelo? Por que os seres se multiplicam, crescem e morrem? E sobre o vasto
Universo? De que são feitas as estrelas? O que são as coisas que existem?
Portanto, as questões que hoje pertencem à
ciência nasceram como especulação filosófica. Foram os primeiros filósofos que
formularam as perguntas que ao longo dos séculos a ciência tratou de responder
e reinventar.
Várias respostas a essas questões foram
elaboradas pelos mitos, pela tradição e pela religião. No entanto, esses
filósofos estavam atrás de outro tipo de resposta, não mais ligada à tradição e
à autoridade, mas que tivesse valor por si só: respostas filosóficas, respostas
verdadeiras, universais, baseadas na razão.
No período clássico da Filosofia grega se
constitui o pensamento de Platão e Aristóteles, que acabaria por formar a base
de toda a Filosofia posterior. A questão da verdade se tornou proeminente para
a Filosofia. Os sofistas, mestres da persuasão e oratória, foram
combatidos por seus contemporâneos. Enquanto a Filosofia lutava por um
conhecimento verdadeiro, os sofistas procuravam convencer por meio da retórica.
Fonte: DIMENSTEIN, Gilberto. Dez lições de
Filosofia. São Paulo: FTD, 2008. p. 28.
Retórica: Arte de se
expressar com desenvoltura, de bem argumentar.
Sofistas: Pedagogos que
perambulavam pelas cidades gregas da Antiguidade, instruindo os jovens em
várias artes, especialmente em retórica, cujo propósito era a obtenção de
sucesso nas assembleias dos cidadãos, nas disputas judiciárias e nos jogos
políticos em geral. O termo também é
usado no sentido pejorativo, para indicar os falsos sábios que cobravam por
seus ensinamentos e não tinham comprometimento com a ciência e a verdade,
importando-se tão somente com o manejo retórico das opiniões, sempre defendidas
apenas em vista do jogo de poder. (p.
12, segunda coluna _ caderno Anglo)
GIACOIA JR,
Oswaldo. Pequeno dicionário de filosofia contemporânea. São Paulo: Publifolha,
2006. p. 161.
Os períodos da Filosofia grega
De maneira simplificada, podemos dividir o
desenvolvimento da Filosofia grega em quatro momentos:
* Período pré-socrático
(séc. VII a V a.C.): De Tales de Mileto a Sócrates.
* Período socrático ou
clássico (séc. V a IV a.C.): A Filosofia reflete sobre as questões humanas,
sobretudo a ética e a política.
* Período alexandrino ou
helenístico (final do séc. IV a séc. III a.C.): A Filosofia busca sistematizar
o conhecimento alcançado. Disseminação da cultura clássica no mundo
mediterrâneo. Surgem novas escolas, como a dos estoicos, dos epicuristas e dos
céticos.
* Período greco-romano
(séc. III a.C. a VI d.C.): Nesse período há a assimilação da cultura grega pela
cultura romana e a dissolução do pensamento grego diante do cristianismo.
Até mais... Cogitare!
Reinaldo Corrêa.
Prof. de Filosofia do Ensino Médio.
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